Quando tinha uns 19 anos, escrevi uma história curta por carta a uma amiga. Eu, morando em Barcelona, via a política com olhos de anarquista e gostava disso. E ela me respondeu a carta continuando a história e me propôs que fizéssemos um livro a partir daquilo tudo. Foi a primeira vez (de várias outras que viriam) onde alguém me propôs escrevermos um livro a quatro mãos (expressão equivocada que nos obriga sermos ambidestros, veja só) . A amiga nem amiga mais é. Uma pena. Livro junto só saiu um por enquanto e foi experiência maravilhosa. Mas estou mesmo é mudando de assunto e vamos ao foco, ora ora.

A tal da historinha dizia mais ou menos assim: “Existia um político presidente de alguma localidade, mas nem ele nem ninguem faziam disso uma grande questão. Ele estava lá. A população estava por aí fazendo suas coisas em suas vidas. E a vida continuava e funcionava e era assim e isso não tinha a menor importância. O político era um cara basicamente bom. Um belo dia ele desistiu, ninguém nem percebeu, ele saiu de fininho e a vida foi continuando sem muito auê nem nada.” Hoje vejo a historinha com olhos de pessoa mais velha. Era uma utopia, um idealismo adolescente. Eu queria que o anarquismo viesse por desistência, por calmaria, por falta de necessidade de ser diferente, porque tudo estaria bem então os governos seriam denecessários um dia.

Não acho que estejamos próximos disso. Muito pelo contrário. Meu DNA é anarquista sim, mas como norte, como objetivo de vida, não para almejar-se mas para olhar pelo horizonte e seguir. Hoje, mais velho mas nem por isso menos esperançoso, torço mesmo é para que a política saia do notíciário policial e volte a um lugar mais nobre. No fundo, torço para que um dia nem conste do notíciario, como na historinha de quase vinte anos atrás. Mas enquanto isso não ocorre (e tem muita coisa pra ser feita ainda, voto distrital pra ficar em um único exemplo) eu quero, com vontade, que a política brasileira saia o quanto antes das páginas policiais, da área de crimes e marginais. Pra quem eu voto? Ora, isso é um falso dilema. Preste atenção aos links deste post, colega! Voto num carinha com pouco gosto, quase aquele lá que imaginei um dia em Barcelona. Com a diferença de que ele não desista e não desiste.